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O conceito de sustentabilidade

  • 19 de abril de 2013

Segundo o relatório de Brundtland (1987) sustentabilidade é conceituada como: “suprir as necessidades de geração presentes sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”.

Alguns autores ¹ diziam que é essencial que se estime e continuamente se reavalie os limites finitos do espaço que o homem ocupa e sua capacidade de suporte, e que se tomem passos que assegurem as futuras gerações, e a presente humanidade, de terem os recursos necessários para uma vida satisfatória para todos.

É perceptível o desequilíbrio do homem com a natureza, e por mais que saibamos e vivenciamos isso, dificilmente nos deparamos com soluções ecologicamente corretas. Muitas vezes porque a nossa cultura impossibilite ou porque achamos economicamente inviável. Os recursos naturais são finitos e quanto mais os utilizamos de maneira errônea mais rápido eles vão se esgotando. Como conseqüência desse desequilíbrio sofremos com aquecimento global, efeito estufa, impureza do ar, racionamento de água e energia, etc.

Reflexão do livro

Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania – Fátima Portilho

Fátima Portilho trabalha, neste livro, a relação da cultura mundial do consumo com o desequilíbrio ambiental e a necessidade de sustentabilidade ambiental.

O homem moderno se vê em um cenário onde o consumo exacerbado é estilo de vida, mas começa a enxergar a necessidade de mudanças no âmbito ambiental que se expande depois para o social e econômico. A sociedade moderna passa a se ver em um cenário onde as ações sustentáveis deixam de ser uma questão de opção e passa a ser necessidade em todos os campos de trabalho pois precisamos resguardar recursos naturais para as gerações futuras.

Vivemos em uma sociedade onde o status é concebido através de o que possuímos e consumimos, porem, aos poucos nos deparamos com conseqüências drásticas ao nosso futuro. Os recursos da Terra são finitos e o modo como os utilizamos mostra que muito do que produzimos deixa de ser o necessário e passa a ser um excedente negativo.

1 – Holdren e Ehrlich (1971)

O consumo passa a ser um alimento para a felicidade e qualidade de vida e acabamos fugindo do equilíbrio com a natureza, do lazer e das relações humanas em troca de um ciclo de super trabalho e conseqüente super consumo.

Essa cultura do consumo cria conseqüências devastadoras para o equilíbrio humano e ambiental. Alimentamos uma sociedade onde o luxo e a posse é um dos elementos mais importantes, onde a desigualdade e a conseqüente violência passam a ser fatos normais do dia-a-dia.

A sociedade passa a exigir de todos um consumo ambientalmente desnecessário. O modo como nos vestimos, locomovemos, moramos, construímos e vivemos passa a ser relacionado com desperdícios e supérfluos. Bens de consumo que antigamente duravam uma vida passam a ser praticamente descartáveis e surgem outros que passam a ser essenciais para a vida humana.

O modo de vida atual se vê em um cenário onde avanços tecnológicos não estão sincronizados com o desgaste e a degradação ambiental. Com esses avanços e o consumismo, deixamos um estágio de degradação e transformação e passamos a um processo de recriação planetária onde não temos a menor consciência e conhecimento das conseqüências futuras.

O comportamento dos indivíduos necessita de mudanças. O mercado necessita de consciência planetária quanto ao consumo. Se continuarmos assim, consumindo alem do necessário,dificilmente alcançaremos um mundo sem desigualdade ambiental, social e econômica.

Um argumento que se tornou clássico é que “20% da população mundial, que habita principalmente os países afluentes do hemisfério norte, consome 80% dos recursos naturais e energia do planeta e produz mais de 80% da poluição e da degradação dos ecossistemas. Enquanto isso, os 80% da população mundial, que habitam principalmente os países pobres do hemisfério sul, ficam com apenas 20% dos recursos naturais.” ² Se seguirmos a lógica onde todas as pessoas podem consumir os recursos naturais igualmente e os habitantes dos países do sul passarem a consumir como os nortenhos seriam necessários, no mínimo, dois planetas para nos mantermos. Acaba que os países que consomem menos recursos se sentem no direito de utilizar-los uma vez que são os nortenhos que precisam consumir menos.

2 -(PORTILHO, Fátima – pg. 134,135)

Novas reflexões.

A cultura local tem grande influencia no equilíbrio ecológico de cada região. É ele que faz ou fazia as pessoas utilizarem os próprios materiais locais para se alimentar, construir, consumir e viver. Um grande fator de desequilíbrio é a necessidade de receber produtos e materiais diferentes e principalmente a forma de transporte desses elementos que na maioria das vezes é nociva.

A cultura tem seus pontos positivos mas também suas limitações. A medida que vai sendo mudada dificilmente retorna ao que era, a não ser que conseguimos provar suas qualidades e potenciais. Infelizmente a cultura do consumo nos exige grandes desgastes ambientais, desde a exploração dos recursos naturais para suprir as demandas do mercado de roupas, casas, carros e alimentação até sua conseqüente necessidade de transporte e mobilidade com grande emissão de gases nocivos.

 “A possibilidade de esgotamento dos recursos naturais, com catastróficas conseqüências para a preservação da vida no planeta, tem feito com que o homem passe a encarar de maneira diferente a sua forma de relacionamento com o meio ambiente. Como não poderia deixar de ser, essa mudança de comportamento teve reflexos também no sistema construtivo, importante agente na performance das cidades, pois considera o impacto do mundo construído no mundo natural” (PORTO, Márcio – 2009)

Técnicas construtivas

Ao pensarmos e observarmos a arquitetura e construção nos ligamos completamente ao modo de vida e ao futuro do ser humano. A construção e o uso das edificações são responsáveis por uma grande demanda de recursos naturais. Para reduzirmos esta demanda, ações sustentáveis necessitam ser introduzidas à nossa cultura e para isso, devemos usar os meios de comunicação e conseqüente globalização a nosso favor, para uma difusão ou ate imposição de novos valores. (Ed Mazria; Fundamentos de Projeto de Edificações sustentáveis)

Quando pensamos a construção e passamos a observar-la como um objeto natural, inserida no contexto planetário, percebe-se a necessidade de um inserção que comunique com seu meio. Sendo assim, o objetivo é a busca por técnicas que cause o mínimo de impacto, minimizando gastos com materiais, terraplanagem e seu respectivo transporte, bem como reaproveitando ao máximo a energia e os matérias abundantes na região.

Referencias Bibliográficas

BRAKEL, Manus van. Os desafios das políticas de consumo sustentável. Cadernos de Debate Projeto Brasil Sustentável e Democrático, n. 2, Rio de Janeiro: FASE, 1999

PÁDUA, José Augusto. Produção, consumo e sustentabilidade: O Brasil e o contexto planetário. Caderno de Debate Projeto Brasil Sustentável e Democrático, n. 6, Rio de Janeiro: FASE, 1999, pp. 11-48.

PORTILHO, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania – 2. ed. – São Paulo: Cortez, 2010.

PORTO, Marcio. O processo de projeto e a sustentabilidade na produção da arquitetura. São Paulo: C4, 2009

HOLDREN, P. J.; EHRLICH, R. P. Global ecology: reading toward a rational strategy for man. New York Harcout Brace Jovanovich, 1971.

Solo Cimento – http://www.ceplac.gov.br/radar/Artigos/artigo7.htm

LENGEN, Johan van. Manual do arquiteto descalço

KEELER, Marian & BURKE, Bill – Fundamentos de projeto de edificações sustentáveis.

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