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Espaços Públicos e Memória

  • 19 de abril de 2013

Colocado a relevância da questão, nos apegaremos aos aspectos teóricos e conceituais que necessariamente a rodeiam: as funções, importância e preservação de espaços públicos para o lazer e cultura sobre o olhar de alguns autores. Entre estes destacamos a figura de Jane Jacobs, jornalista norte-americana e pensadora da cidade e seus sentidos, a qual dedicaremos a primeira parte de nossa análise teórica.   

Jane Jacobs e os parques de bairro

Diria Jane Jacobs (2001) que um parque existe para garantir vitalidade para si e para o entorno. No entanto, a autora ressalva que é impossível pensar em um espaço urbano com qualidade de vida simplesmente com a adição de áreas verdes. Isto nos diz que alguns outros elementos são essenciais para “dar vida” a estes espaços, a fim de que se garanta sua verdadeira função.

Primeiramente, o elemento mais trabalhado por Jacobs está relacionado com a diversidade de usos e de pessoas no entorno de um parque, que tem como consequência a diversidade de tempos/temporalidades e de usos do espaço (ou espacilidades). Ao pensar a diversidade de pessoas (e logo, usos) dos parques e seu entorno aparecem os elementos que evidenciam a riqueza de possibilidade de tais espaços, agregando as diferenças de níveis econômicos, identitárias, de percepções, etc. Este elemento é nomeado como “complexidade” por Jacobs e é inerente tanto a concepção quanto aos usos de um espaço público (JACOBS, 2001).

O outro elemento abordado por Jane Jacobs (2001) é a centralidade dos parques, que diz respeito a uma referência neste espaço. A insolação, que tem como conceito básico a necessidade de variação de áreas de sol, sombra e chuva ao longo do espaço, aparece como um dos fatores primordiais. Por ultimo, a delimitação espacial, que segue a linha de Camillo Sitte defendido no final do século XIX, partindo do conceito que os espaços abertos devem ser conformados pelos edifícios e não simplesmente formado a partir dos resíduos deixados pelos espaços fechados. Basicamente, os espaços abertos devem ser pensados e projetados assim como as edificações (JACOBS, 2001).

Tomaremos aqui a reflexão da autoras sobre os parques e espaços públicos como uma referência para nossas reflexões próprias, que deverão falar sobre o espaço estudado (Estação Ferroviária de Barbacena). Jacobs defendia os parques urbanos com um grande argumento:

Espera-se muito dos parques urbanos. Longe de transformar qualquer virtude inerente ao entorno, longe de promover as vizinhanças automaticamente, os próprios parques de bairro é que são direta e drasticamente afetados pela maneira como a vizinhança neles interfere. (JACOBS, 2001, p. 104)

 figura1

Figura 01 – Diagrama das ideias de Jane Jacobs em relação aos parques
Fonte – http://urbanidades.arq.br/2007/09/jane-jacobs-parques-de-bairro/

Para se fazer um parque  em determinada região é necessário um estudo prévio do entorno, dos futuros usos que serão gerados e quais serão as consequências desses usos. O importante é manter os conceitos e elementos básicos que Jacobs aborda para se ter vitalidade e vivência comunitária. Os parque não devem modificar a vida de uma região, o objetivo é que eles sejam modificados e incorporados pela região, e que consequentemente, o cotidiano do entorno tenha alguns de seus os problemas sanados e as potencialidades sejam mantidas, rumando à qualidade de vida local . 

BIBLIOGRAFIA
JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000.